

E se vale mesmo a pena, a gente só vai saber depois. E o nosso depois sempre chega. Nosso futuro insiste em continuar virando presente, transformando-se em passado. Nossos hojes já foram amanhãs, daqui a pouco serão ontens.
Sempre existe o tempo de parar. As paradas da vida estão por todas as esquinas. Aquelas pra reabastecer, aquelas de pneu furado, aquelas com sinal fechado, aquelas pra atravessar pedestres, aquelas por chegar aos nossos destinos finais.
Dentre tantas paradas, tantos motivos pra continuar, tantos motivos pra desistir, tantos motivos pra mudar o rumo, o caminho, a direção, pra abandonar o carona, pra pegar passageiros novos, pra seguir sozinho, pra voltar de onde nem deveríamos ter saído, pra ver o por do sol além do horizonte, ou o que tem depois dele.
Essa vida é uma estrada sem rumo cheia de caminhos sem opções e escaladas sem fim. Essa vida é um eterno amanhã, um eterno sua hora vai chegar, um eterno sua estrela vai brilhar, um eterno basta acreditar, um eterno nada é impossível, uma eterna ilusão.
Viver é uma arte, um ofício, mas que precisa cuidado. Não quero me lembrar que vivo, quero viver sem lembrar, assim como respirar que só faço força se lembrar, como agora, mas, com certeza, antes de dormir já esqueci e voltou ao modo automático.
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